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Liderança ou a arte inspiradora de responder «não sei»

A liderança por definição é a capacidade de influenciar, motivar e orientar um grupo de pessoas para alcançar objetivos em comum. Envolve a habilidade de inspirar, escutar, tomar decisões e promover cooperação entre os membros de um grupo.

Esta noção de orientação é talvez o eixo mais desafiante da mesma na atualidade. Na realidade houve uma época em que os líderes teriam quase todas as respostas para as nossas dúvidas e questões e, atualmente, na ambiguidade em que navegamos essa realidade não se verifica.

Se antes se confiava em alguém que parecia ter as respostas todas e estar certo da direção a tomar. Hoje essa certeza comporta um nível de risco acentuado. Pelo que é mais fácil confiar em alguém que não tem a resposta no imediato.

Na realidade, o que se espera da liderança na atualidade passa muito pela capacidade de ajustar o rumo à medida que as variáveis contextuais se vão impondo e não a definição de um plano estratégico complexo, com um alcance temporal demasiado longo. A escuta ativa dos colaboradores, a observação das tendências e a capacidade de comunicação e alinhamento permitem que os planos estratégicos e as decisões não sejam definitivos, mas calibrados com a realidade, a todo o momento. 

A comunicação tem de fluir de tal forma que permita rapidamente gerar confiança uma vez que as constantes mudanças provocam muitas vezes incerteza nos colaboradores e podem até parar a operação se não houver uma visão e inspiração comuns.

Cada vez mais se tem de ter uma mentalidade de trouble shooting, que era no passado operacional, e que agora deve estar presente num nível mais estratégico, a árvore de decisão deverá ser mais participativa e generativa ou criativa mesmo, na forma como encara os desafios do quotidiano

A confiança é a pedra de toque que alicerça qualquer liderança e ganha-se com a humildade de não se saber tudo, de se procurarem respostas, de consultar o outro e de assumir riscos ponderados baseados na observação e intuição desenvolvidas no âmbito de carreiras muitas vezes ricas e diversificadas.

Esta confiança ganha-se com a capacidade de assumir que se enganou, que é preciso ajustar o rumo ou mudar de direção, com a humildade de pedir ajuda e com a honestidade de responder “Não sei!”.

Escrito por Ana Sofia Brazão- Diretora de Pessoas e Cultura da Vendap – Kiloutou Group