Quando a tua voz não chega, deixa entrar outra!

Quando a tua voz não chega, deixa entrar outra!

Quando a tua voz não chega, deixa entrar outra

Pedro Abrunhosa é um notável caso de estudo. Apesar das suas limitações vocais, construiu uma identidade artística absolutamente singular. O mérito está na força da sua escrita, na capacidade de transformar palavras simples em imagens poderosas e na rara inteligência de criar uma sonoridade inconfundível e adaptada à sua própria natureza.

Com as férias à porta, a minha recomendação musical vai para a canção “Que o Amor Te Salve Nesta Noite Escura”, na versão interpretada com Sara Correia.

Num contexto em que os conflitos armados proliferam e muitos líderes mundiais mais nos assustam do que nos inspiram, a canção fala de esperança, de recomeço e da possibilidade de existir uma nova vida, mesmo quando tudo à nossa volta parece escuro. Como escreve Pedro Abrunhosa, “o princípio do mundo começou agora”.

Mas há uma razão especial para recomendar a versão com Sara Correia.

Pedro Abrunhosa não tem uma voz extraordinária no sentido clássico do termo. Sobretudo quando canta ao lado de Sara Correia, dona de uma voz poderosa, segura e capaz de chegar a lugares a que poucas vozes conseguem chegar.

O seu mérito está precisamente no facto de conhecer a voz que tem. Não tenta cantar como Sara Correia, nem competir com ela. Adapta a canção à sua capacidade natural, encontra a forma certa de colocar as palavras e transforma aquilo que poderia ser uma limitação numa identidade imediatamente reconhecível.

Não ter a melhor voz nunca o impediu de compor, cantar e construir uma carreira singular.

E este é o primeiro ensinamento. Não te deves deixar limitar pelos teus limites naturais, sejam eles quais forem. Reconhecer uma limitação não significa desistir. Significa compreender o ponto de partida e encontrar uma forma inteligente de avançar. Os limites podem obrigar-nos a trabalhar mais, a adaptar o método e a descobrir uma maneira diferente de alcançar um resultado extraordinário.

Pedro Abrunhosa não ficou à espera de ter outra voz para fazer música. Aprendeu a trabalhar com a voz que tem e construiu as canções à volta dela.

Depois entra Sara Correia.

A sua voz abre a canção, dá-lhe profundidade e leva-a a lugares a que a voz de Pedro Abrunhosa jamais chegaria sozinha. Ele não desaparece nem perde importância. Pelo contrário, a decisão de lhe dar espaço torna a canção maior.

E aqui surge o segundo ensinamento.

Há momentos em que alguém da nossa equipa faz melhor do que nós. Precisamos de ter inteligência e segurança suficientes para o aceitar.

Trabalhar em equipa não significa que todos tenham de fazer tudo, nem que o líder tenha de ser sempre a pessoa mais competente. Significa colocar cada pessoa no lugar onde consegue acrescentar mais valor.

Muitos líderes dizem que querem equipas fortes, mas sentem-se ameaçados quando alguém sabe mais, executa melhor ou chega mais longe. Em vez de aproveitarem esse talento, tentam competir com ele ou reduzir-lhe o espaço.

Uma equipa não cresce quando todos querem ter a voz principal. Cresce quando cada pessoa conhece a sua voz e reconhece o momento em que deve deixar entrar a voz do outro.

Não precisamos de ser extraordinários em tudo. Precisamos de conhecer a nossa voz, utilizá-la bem e escolher as pessoas capazes de levar a canção onde nós, sozinhos, nunca conseguiríamos chegar.

Ouçam esta canção. É uma obra-prima.

Boas férias!

Luis Marinho – CEO ExcelFormação            

Nota: Por discordar dos seus termos, não escrevo segundo o novo Acordo Ortográfico.

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